Ficção científica, o universo e tudo mais… Fonte: http://cristinalasaitis.wordpress.com/2008/10/05/ficcao-cientifica-o-universo-e-tudo-o-mais/ Outubro, 5 - 2008
Normalmente, quando as pessoas que convivem comigo descobrem que sou escritora de ficção científica, a reação costuma ser de estranhamento. Não sei bem a razão, talvez porque nunca foi comprovada a existência de vida nerd loira, ou – o que é mais plausível – porque não entendem nada sobre ficção científica.
“Ficção científica? Historinhas de naves alienígenas? Que coisa mais infantil! Mais cafona, fora de moda…!”
Pois eu digo a você que ficção científica é tudo de bom. E é uma pena que as pessoas não conheçam, e por não conhecer, confundam-na com um produto adolescente, irreal, que só agrada a nerds e gente estranha. Isso faz com que a FC permanece intocada como uma ilha de desconhecimento cercada de ignorância por todos os lados. O preconceito contra o gênero foi construído em dois níveis bastante diferentes: o daquelas pessoas que não sabem nada sobre tudo – a população analfabeta funcional – e o daquelas outras que pensam que sabem demais – os acadêmicos e literatos –, detentoras da ignorância culta, míope e com armações de tartaruga.
Pode parecer idiota que alguém dê importância a essas pequenas querelas literárias, mas é em razão do preconceito que muitas editoras simplesmente excluíram o gênero de suas linhas de publicação e muitos escritores fogem do rótulo na tentativa de serem “levados a sério” pelas academias.
E por falar em academias… Atualmente, Doris Lessing é a única autora de FC (entre outros gêneros) a ser laureada com o prêmio Nobel de literatura. Não obstante, a série Shikasta – de ficção científica – é das menos citadas de sua produção literária. Como é praxe, os livros de um recém-ganhador do Nobel costumam ressuscitar nas prateleiras das livrarias. Foi isso que aconteceu com as obras de Lessing, que foram reeditadas e hoje podem ser encontradas com folga nas principais redes livreiras. Você só não vai encontrar Shikasta…
E o que é ficção científica, afinal?
É um gênero muito rico, que engloba vários subgêneros, comportando obras tão diferentes entre si que muita gente nem suspeita se tratar de FC. Costumam designa-la também como ficção especulativa, porque sua função é especular sobre realidades diferentes e explorar novos universos de possibilidades. É a ficção do: “como seria se…?”, e sobre essa pergunta, os autores constroem universos inteiros dentro de uma complexidade própria, abordando aspectos científicos, políticos, tecnológicos e culturais; partindo de premissas que nos conduzem a reflexões por horizontes além dos limites do convencional. E é aí que reside o grande valor da ficção científica: ela exercita a criatividade, a imaginação, o raciocínio, o poder de abstração e a flexibilidade de pensamento. São habilidades exploradas pela literatura como um todo, mas que florescem de forma especial quando a ficção extrapola as fronteiras do cotidiano.
A ficção científica pode ser fatiada em vários subgêneros, que não são absolutos. Muitas obras não podem ser classificadas dentro de uma vertente ou outra, por reunirem características de vários subgêneros. Farei um resumo das principais vanguardas da FC, mas entenda que as fronteiras que separam uma e outra são tênues, algumas fizeram sentido em momentos específicos da literatura, outras são divisões tão virtuais quanto as dos times de futebol.
Hard Science Fiction
Cena de 2001 - Uma Odisséia no Espaço
É um dos gêneros mais clássicos da FC, cujo principal representante é o escritor Arthur C. Clarke e sua famosa Odisséia 2001. O grande barato da FC hard é dar embasamento científico para as maravilhas tecnológicas inventadas pelo autor, valorizando a acurácia, a viabilidade técnica, os detalhes, a verossimilhança. Imagine uma nave em órbita, a milhares de quilômetros da Terra, e pense numa forma de fazer com que nela exista gravidade. Esse é um problema clássico para os diretores de Hollywood (tendo em vista que a gravidade zero pode gerar um buraco-negro no orçamento de um filme). No filme Armageddon, a solução foi instalar um “botão de gravidade” na parede da nave; já na Odisséia 2001, a solução de Arthur Clarke foi dar à estação orbital um eixo de rotação mantido por inércia, para que a força centrípeta sirva como gravidade simulada. Nesse quesito, a ficção hard passa muito perto da ciência aplicada, e, como próprio nome diz, é hard – dura, difícil – porque exige que o escritor tenha um bom conhecimento científico.
Além da série Odisséia, outras obras interessantes são Encontro com Rama, A Cidade e as Estrelas e O Fim da Infância; todas essas do vovô Clarke.
Soft Science Fiction
Arte de capa de Um Estranho Numa Terra Estranha, de Robert Heinlein
Contrapondo à ficção hard, que tem foco nas ciências exatas e tecnologia, a ficção soft é centrada no ser humano e na sociedade. Refere-se, de modo geral, às obras de ficção científica com um pé nas ciências humanas, cujo intuito é, através de comparações, tecer críticas sobre os modelos sócio-culturais e político-hierárquicos de nossa realidade. A soft sci-fi floresceu nos anos 60/70, num momento histórico de grandes transformações sociais; época em que o movimento feminista estava nas ruas, nascia o movimento gay, triunfava a luta pela igualdade racial com a derrubada das leis racistas nos EUA, a América Latina sofria com o cabresto das ditaduras militares e o mundo vivia sob a tensão da Guerra Fria.
Os autores que mais se destacaram nesse gênero foram Robert Heinlein (com Um Estranho Numa Terra Estranha) e Ursula K. Le Guin (com A Mão Esquerda da Escuridão e Os Despossuídos).
Em A Mão Esquerda da Escuridão, Le Guin apresenta um planeta onde vive uma espécie humana muito singular pela característica de ser totalmente hermafrodita e andrógina. Não existem sexos nem papéis sexuais pré-estabelecidos, toda e qualquer pessoa pode ser pai e ser mãe. Na viagem através desse mundo, o leitor experimenta a vivência de uma realidade onde a dicotomia mais básica da nossa psique – o masculino/feminino – é rompida. Uma experiência literária e tanto!
Distopia
Grandiosidade é a marca registrada dos regimes autoritários
Um gênero inteiro dedicado a tratar de utopias que saíram pela culatra. Ficção ou nem tão ficção assim, as distopias exploram meios de opressão institucionalizada, cujos padrões se repetem interminavelmente na história da humanidade. É provável que estejam entre as obras mais conhecidas da ficção científica (raramente assumidas como FC): Admirável Mundo Novo (Aldous Huxley), 1984 (George Orwell), Farenheit 451 (Ray Bradbury), Laranja Mecânica (Anthony Burgess), O Caçador de Andróides (ou Blade Runner, Philip K. Dick) e The Handmaid’s Tale (Margaret Atwood). No cinema, bons exemplos são os filmes Gattaca, Filhos da Esperança, Aeon Flux, além das adaptações das obras já citadas. A receita da boa distopia é angustiar o leitor situando-o numa atmosfera opressiva, de regras intrincadas, leis injustas, estreita vigilância, desesperança e desilusão. Um dos meus livros preferidos nessa vertente é The Handmaid’s Tale, que remonta a um Estados Unidos alternativo dominado por uma ordem religiosa fundamentalista que instituiu uma estrutura social rígida baseada nos preceitos do Velho Testamento. Para tal, todas as mulheres perdem o status de cidadãs e são apropriadas pelo Estado, grande parte delas se tornam aias, na verdade, ventres-de-aluguel, e são mandadas para as casas dos coronéis do sistema para lhes dar filhos. O detalhe é que após uma guerra química os homens ficaram estéreis, e caso as aias não consigam conceber a curto-prazo, são enviadas para campos de extermínio. Injustamente, The Handmaid’s Tale é uma obra pouco conhecida no Brasil, (onde foi publicada como O Conto da Aia, em 2006, pela Rocco). Na minha opinião, é uma distopia tão potente quanto 1984.
Space Opera
Duna, de Frank Herbert, já está na sua terceira adaptação cinematográfica
A faceta mais pulp da FC. Aqui estão as guerras de naves que fazem barulho no espaço, as pistolas de raios-laser, os caçadores de recompensa e salvadores de mocinhas indefesas raptadas por monstros do espaço sideral. O space opera traz a marca das aventuras melodramáticas e românticas, do maniqueísmo – bem versus mal (sendo que o bem sempre vence no final) – gerador de heróis galantes invencíveis e vilões terríveis e feios. São exageros e clichês inumeráveis, mas que fizeram história no cinema e nos folhetins estilo Amazing Stories. Algumas obras que flertam (muito) com o space opera são Star Wars, Battlestar Galactica e Duna (de Frank Herbert). Em Duna, por exemplo, há uma atmosfera messiânica cercando a figura do herói, Paul Atreides, que move uma guerra contra seu arqui-inimigo, o maquiavélico Barão Harkonnen, para vingar a morte de seu pai e reconquistar o poder sobre seu feudo – o planeta Arrakis-Duna. Nada aqui é tão simples ou tão bobo como os clichês do space opera fazem parecer. Herbert teve o mérito de construir um cenário magnífico, com tramas políticas complexas e uma saga muito envolvente e bem narrada, que tornaram Duna o mais venerado épico da ficção científica.
Cyberpunk
A inconfundível estética cyberpunk
Vida desgraçada com alta tecnologia – essa é a premissa e a promessa do estilo cyberpunk. Tudo começou em 1984 com a publicação de Neuromancer, de William Gibson, um romance tão diferente de tudo que existia até então, que provocou um impacto imediato e profundo na ficção científica. Aqui, o hacker é o herói, o ciberespaço é o campo de batalha, o submundo das ruas é o cenário, o capitalismo selvagem é o pano de fundo, os implantes ciborgues, computadores e aparatos eletrônicos são o tempero.
O cyberpunk é dotado de um apelo estético poderosíssimo, reconhecível a quilômetros de distância. São comuns os cenários noturnos das megalópoles industriais, as roupas escuras de tecidos sintéticos, aparelhagem tecnológica, muitos implantes, sexo, drogas e rock’n’roll, o estilo de vida desconexo e anfetaminado, o palavreado de sarjeta, espiões, mercenários, samurais pós-modernos, figurões da máfia, inteligências artificiais, megacorporações, a coisificação generalizada, o desencantamento da realidade e o sempre presente mundo virtual. Foi com Neuromancer que nasceu a idéia do ciberespaço, uma profecia que se realizou anos mais tarde com o surgimento da internet. Já outro clássico cyber, Snowcrash (Nevasca), de Neal Stephenson, originou a idéia de realidade virtual compartilhada, o que hoje temos com o Second Life.
Se você está pensando em Matrix, acertou. A rede matrix, propriamente dita, surgiu em Neuromancer, que foi o ponto de partida para a trilogia cinematográfica Matrix, Matrix Reloaded e Matrix Revolutions.
O cyberpunk nasceu como a profecia de um “futuro terrível, porém provável”, ao menos, era o futuro para o qual o mundo parecia estar caminhando nos anos 80. Mas hoje em dia o futuro não é mais como era antigamente. A onda cyber nos atingiu, legou-nos a internet, os celulares e as noites delirantes em companhia dos computadores; e passou… tantas coisas mudaram, tantas ficaram como sempre são. É nesse instante que o filósofo olha para o hacker e pergunta: “e agora? o que vem depois?”, e o hacker responde: “Não vem. O cyber morreu. Viva o pós-cyber!”
Steampunk
Amostra de um futuro que jamais houve
Um dia William Gibson (o mesmo autor de Neuromancer) acordou com um bug nas idéias, se reuniu com Bruce Sterling e juntos eles decidiram desenterrar o projeto da máquina diferencial de Charles Babbage (que se tivesse funcionado teria se tornado o primeiro computador da história, isso em… 1822!), puseram-na para funcionar sob forças fictícias e criaram um desvio na história, situando a revolução da informática um século antes que ela realmente acontecesse. O resultado foi The Difference Engine, outro romance que chegou para abalar a FC com estilo.
Imagine você que maravilha o mundo computadorizado batendo cartões em máquinas a vapor, os céus tomados por zeppelins movidos por piloto automático e a Rainha Vitória atravessando os oceanos com os submarinos da Nautilus Rapinante Ltda. Sim, isso mais parece Júlio Verne recauchutado, com engrenagens de ouro e rococós barrocos. O steampunk – punk a vapor – é a tendência que veio explorar o progresso científico que o passado poderia ter vivido e que jamais aconteceu. A premissa sempre é fundamentada em um ponto crítico da história, gerando um desvio para uma revolução tecnológica bem-sucedida.
Nos quadrinhos, o gênero foi muito bem explorado por Alan Moore em A Liga Extraordinária (cuja adaptação cinematográfica deixa a desejar). E mais recentemente, o filme A Bússola de Ouro traz uma linda amostra dos devaneios estéticos do steampunk.
Na verdade, o punk a vapor é um gênero pouco ou nada funcional, mas com um apelo estético fortíssimo, retro-futurista e quase parnasiano. Em outras palavras: “essa engenhoca do vovô não serve pra nada, mas é tão bonitinha, tão legal, tão bacana…!!”
História Alternativa
E se…?
E se os nazistas tivessem ganho a segunda guerra mundial? E se Napoleão vencesse a batalha contra a Rússia? Como seria se a colonização holandesa tivesse vingado no Brasil?
Perguntas desse tipo deram origem a um gênero inteiro dentro da ficção especulativa que se dedica a recontar a história, criando realidades alternativas que divergiram da nossa em um ponto crucial do passado.
A obra mais conhecida é O Homem do Castelo Alto, de Philip K. Dick, que responde exatamente à questão: e se o Eixo tivesse vencido a segunda guerra? O romance de Dick apresenta um mundo dominado por duas potências: Alemanha e Japão. Os personagens são pessoas comuns oprimidas pela estrutura social fundamentada nas ideologias racistas que se tornaram parte do zeitgeist dessa nova ordem mundial, onde os negros são escravos e os poucos judeus que ainda existem vivem na iminência do extermínio.
Também é digno de nota o livro Outros Brasis, de Gérson Lódi-Ribeiro, que traz insights de realidades alternativas brasileiras. Por exemplo, se o Quilombo dos Palmares tivesse resistido, teriam os quilombolas criado seu próprio Brasil Palmarino? E ainda, se o Paraguai tivesse ganho a Guerra do Paraguai, teria se tornado a potência sulamericana que de fato prometera ser? E não seria o Brasil somente um paisinho agrícola sob sua esfera de influência? Questões intrigantes, possibilidades infinitas.
New Weird
Concepção artística de Perdido Street Station
Novo estranho. Novo, muito novo mesmo, tem sido considerado por algumas pessoas o gênero da vez. E como toda avant-garde que se preze tem um manifesto de origem, cito o manifesto new weird, na definição de Jeff VanderMeer:
“New weird é um tipo de ficção urbana de segundo mundo, que subverte as idéias romantizadas de ‘lugar’ encontradas na fantasia tradicional, principalmente pela escolha de modelos complexos e realistas de mundo como ponto de partida para cenários que podem combinar elementos tanto de ficção científica como de fantasia.”
Em outras palavras, é uma ficção que acontece em um lugar que pode ser qualquer lugar, e faz uma miscelânea de influências mil, colocando no mesmo balaio elementos que não têm aparentemente nenhuma relação entre si. É um estilo que apela para o bizarro e o estranho, e também tem uma estética própria – muuuuiiito psicodélica! O gênero é tão novo que existe apenas um autor que é rotulado new weird por unanimidade: China Miéville, e sua obra considerada a última bolacha do pacote: Perdido Street Station.
Quem fez uma incursão no gênero foi Alan Moore, com a série de quadrinhos Promethea. Promethea é um arquétipo de heroína que se manifesta sob inspiração em algumas mulheres – e homens também – abrindo os portais de um universo semiótico de faz-de-conta, onde vivem os arquétipos. É uma história se passa em um lugar que poderia ser qualquer lugar no mundo, e bate no liquidificador elementos de ficção científica, policial, noir, fantasia, mitologia e o que mais a imaginação puder comportar…
Conclusão
Após um longo período de estiagem, as editoras brasileiras voltaram a se interessar pela ficção científica. Há iniciativas tímidas de reedição de clássicos e algumas publicações inéditas isoladas. É certo que nestes últimos dois anos se publicou mais FC no Brasil do que nas duas últimas décadas. Se você se interessar em conhecer mais, aqui vai uma dica: não procure a prateleira de “ficção científica” nas livrarias, pois as melhores obras do gênero não estão rotuladas como tal. Antes disso, procure pelo nome dos autores indicados, e considere eventualmente procurar livros em sebos.
Tenha em mente que muitas paixões despertaram quando o livro certo caiu nas mãos certas.
http://cristinalasaitis.wordpress.com/2008/10/05/ficcao-cientifica-o-universo-e-tudo-o-mais/ Escrito por luis carlos de alencar às 15h57
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O DOBRO DE CINCO
preparem-se: vem aí a nova adaptação das obras de mutarelli (depois de nina e o cheiro do ralo) , O DOBRO DE CINCO! essa série de quadrinhos é fantástica e será dirigida pelo cineasta Dennison Ramalho, famoso pelo excelente curta de terror "amor só de mãe". o protagonista, um detetive, será vivido por Cacá Carvalho. o teaser já está pronto e vai cair na net em dias.
filme muito premiado, não deixem dever. sobre as humilhações públicas impostas às mulheres francesas no pós-guerra, acusadas de se relacionarem com os nazistas.
tem um filme do tornatore que também fala disso, no contexto italiano.
2) Vídeo exibido durante o debate sobre a transposição do rio São Francisco, (Mesa-Redonda 3 - A água: um mergulho na escassez com um mar de soluções) no I SEMINÁRIO DE EDUCAÇÃO GEOAMBIENTAL DO CMLEM, em Ipiaú-BA.
5) O cacique da tribo, Nenguinho Truká, conta a relação de seu povo com o rio São Francisco. Muito mais que uma fonte de energia, a identidade cultural.
8) Transposição das Águas do rio São Francisco (1/5) com imagens e depoimentos contundentes que revelam os reais interesses do projeto de transposição....transposição rio são francisco salgado jaguaribe desmatamento manguezal carcinicultura pescadores comunidades
9)Transposição das Águas do rio São Francisco (2/5)com imagens e depoimentos contundentes que revelam os reais interesses do projeto de transposição....transposição rio são francisco salgado jaguaribe desmatamento manguezal carcinicultura pescadores comunidades
10) Transposição das Águas do rio São Francisco (3/5) com imagens e depoimentos contundentes que revelam os reais interesses do projeto de transposição....transposição rio são francisco salgado jaguaribe desmatamento manguezal carcinicultura pescadores
11) Transposição das Águas do rio São Francisco (4/5)com imagens e depoimentos contundentes que revelam os reais interesses do projeto de transposição....transposição rio são francisco salgado jaguaribe desmatamento manguezal carcinicultura pescadores comunidades
12) Transposição das Águas do rio São Francisco (5/5)com imagens e depoimentos contundentes que revelam os reais interesses do projeto de transposição....transposição rio são francisco salgado jaguaribe desmatamento manguezal carcinicultura pescadores comunidades
13) Cerca de 1200 pessoas ocuparam e acamparam, na madrugada de 26/06/2007, em Cabrobó (PE), na área em que os batalhões de engenharia do exército deram início à construção dos canais de aproximação do Eixo Norte, do projeto do governo federal de transposição das águas do rio São Francisco. Participaram da ação organizações sociais e movimentos populares, além de comunidades tradicionais de Minas Gerais, Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Bahia e Ceará. Eles exigem o arquivamento do projeto, além da implementação de alternativas e tecnologias apropriadas de convivência com o semi-árido.
15) Manifestação contra a Transposição do Rio São Francisco em Frente do Palácio do Planalto em Brasília, dia 13/03/2007. Representantes das comunidades ribeirinos esperaram em frente do Palácio do Planalto para conseguir uma audiência com o Presidente Lula. Mas os representantes do governo sinalizaram que não tem diálogo com o povo da Bacia do Rio São Francisco.
21) Trabalho elaborado por: Grégory, Giovani, Fernanda e Cleide sobre a transposição do rio São Francisco, realizado em 21/05/2007 para a disciplina Geografia Humana do Brasil do curso Geografia e Meio Ambiente do Unicentro Newton Paiva.
23) Galeria de fotos da Ilha de Assunção, território demarcado da tribo Truká, e do acampamento deles na tentariva de retomar as terras a 10 km de Cabrobó (PE)
26) O jornalista Gustavo Werneck fala sobre matéria... (mais) Adicionado em:20 de setembro de 2007
O jornalista Gustavo Werneck fala sobre matéria premiada, de cunho investigativo, que desmascarou um grande desastre ambiental no Rio São Francisco e seus autores, acontecido em 2002.
eu conhecia esse cara do álbum blood, publicado no início dos anos 90. ele é muito bom mesmo. soube que ele fez uma graphic novel com o Darren Aronofsky - diretor de réquiem para um sonho e pi. Darren depois de ter a produção de seu filme cancelada, recorreu aos quadrinhos para levar a cabo the fountain. resultado: acabou lançando tanto o filme como a HQ. elogiam muito o traço de keith. só posso falar por essa galeria, de visita indispensável:
Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da 11ª Vara Federal da 1ª Seção Judiciária - Bahia
Com cópia para a Excelentíssima Senhora Doutora Desembargadora Federal Selene Maria de Almeida - 5º Turma – TRF 1ª Região
Processo de Reintegração de Posse nº 2007.33.00.005218-8
Agravo de Instrumento n°. 2007.0100.045874-2
(nome, organização) Manifestamos nossa solidariedade à Comunidade Remanescente de Quilombo de São Francisco do Paraguaçu que vem sendo violentamente ameaçada, em sua posse secular, por fazendeiros da região, situação agora agravada pela recente tentativa de cumprimento, em 11 de outubro de 2007, de decisão liminar na ação judicial em epígrafe proferida no dia 23 de agosto de 2007.
A liminar se refere a uma área ocupada tradicionalmente pela comunidade, onde esta exerce há gerações diversas culturas de subsistência, fundamentais para garantir seu sustento, sua segurança e soberania alimentar. Muitas das pessoas que têm suas roças na área reintegrada são os membros mais velhos da comunidade, que não têm absolutamente qualquer outra forma de se sustentarem se isolados das terras que possuem.
O cumprimento da liminar ameaça também a segurança e a tranqüilidade de São Francisco do Paraguaçu. Na tentativa de reintegração, fazendeiros da região pressionaram o oficial de justiça parareintegrar área superior à contida no mandado – assim como se viu em reintegração de posse anterior, referente à área em litígio no processo 2006.33.00.015119-5, em trâmite na 1ª Vara Federal . O mandado está se transformando em um verdadeiro cheque em branco utilizado pelos fazendeiros para impor à comunidade um cotidiano de medo e violência, ameaçando (como já o fizeram anteriormente) matar animais, destruir roças e derrubar casas.
Diante desta situação, e considerando ainda que a decisão atinge posse tradicional da comunidade quilombola e viola direitos garantidos na Constituição de 1988 e em Tratados Internacionais, solicitamos a V Exa que reconsidere a decisão liminar, possibilitando a permanência, o trabalho e colheita até maior instrução do feito e fazendo, assim, valer a justiça e o direito do povo quilombola.
________________________________
(Assinatura)
Amig@s,
Participem da mobilização em favor da luta quilombola enviando cartas para o Juiz e a Desembargadora, conforme as instruções abaixo. Precisamos constranger os “doutos” da Lei para que eles cheguem mais perto da justiça!
Do outro lado o aparato é muito forte, ontem (11.10.07 - mesmo dia da reintegração) mais uma reportagem mentirosa foi veiculada no Jornal Nacional. Vejam se tiverem estômago:
Hoje, em 11/10/07, houve mais uma tentativa de reintegração liminar de posse no Quilombo de São Francisco do Paraguaçu. Esse ato arbitrário coloca em risco a soberania alimentar e nutricional da comunidade, vez que a área em questão é utilizada essencialmente para agricultura de subsistência.
A situação tende a piorar, pois, como nas outras vezes, essa liminar está sendo utilizada como um cheque em branco pelos fazendeiros e capatazes. Não bastasse a injustiça da ordem liminar, extrapolam os limites demarcados no mandado judicial e a ameaça de agressões, destruição das roças, derrubada de casas e matança de animais ronda os quilombolas em qualquer parte do seu território tradicional.
Vale ressaltar que esse ato é mais uma ação orquestrada pela Família Santana e a Associação Amigos do Engenho - AAMEN que, de olho na carcinicultura e na exploração turística da região, vêm promovendo uma enxurrada de ações judiciais contra a luta quilombola, contando, inclusive com respaldo midiático da Rede Globo de Televisão e de sua retransmissora TV Bahia.
Assim, novamente, pedimos seu apoio e solidariedade à Comunidade Quilombola de São Francisco do Paraguaçu, através do envio de cartas para a Justiça Federal, com cópia para o TRF – 1º Região, solicitando a revogação da liminar. Segue em anexo o modelo de carta e abaixo os endereços.
Saudações de luta,
AATR-BA - Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais no estado da Bahia
A Julianne Moore ficou arrasada ao saber que teria que filmar a cena em que ela vem pelo corredor aos prantos depois de presenciar o estupro de 12 mulheres e matar dois dos estupradores. Difícil acertar o tom sem ter passado por estas cenas antes. Mas não tinha jeito. Era isso ou ficarmos parados, pois como nem o Gael Bernal e nem o Danny Glover haviam chegado. Estávamos sem ter o que filmar, então fomos em frente.
O QUEER PUNK QUEER FUNK é um evento autônomo, anti-hierárquico e contracultural, feito de forma também autônoma, fruto de um trabalho coletivo e de uma criatividade que aflora e pede por respostas! A intensão é trazer a discussão e a teoria Queer de volta para o seu lugar de origem, lugar este que nunca deveria ter abandonado - a rua.
Abandonemos , por ora, o conforto e a estrutura das desgastadas organizações tradicionais - universidades e centros homossexuais - deixando pra trás o peso de seus costumes enfadonhos e restritos. Teremos o prazer então de abraçar carinhosamente o velho costume de quebrar as regras, seguir as linhas tortas e dar risada dos tristes costumes de uma sociedade hetero-patriarcal-branca-sem graça.
Abraçar o Queer nas frias ruas da cidade de Salvador!
Longa-metragem vai ser exibido em festa no Teatro Rival, com DJs e distribuição de preservativos
No próximo dia 25 de junho, segunda-feira, o Teatro Rival, na Cinelândia, vai ser palco da festa do filme Bombadeira, documentário do cineasta baiano Luis Carlos de Alencar. Através de uma sucessão de depoimentos surpreendentes, o longa-metragem mergulha no universo dos travestis e desvenda uma realidade pouco conhecida, longe da glamourização e dos estereótipos. “A dor da beleza” é revelada através da figura da bombadeira, profissional conhecida no meio por mudar as formas de suas “pacientes” através de implantes clandestinos de silicone industrial. Um rito de passagem dramático e doloroso. Por vezes, a prática clandestina torna-se o único ou o mais acessível modo de se conseguir o corpo idealizado.
E as travestis bombadas, quem são? Como vivem? O que desejam? Este universo simbólico de morte e de renascimento, em que um ciclo de vida se encerra para permitir o início de outro, é registrado por meio de comoventes e fortes relatos que mostram o cotidiano da travesti, as relações familiares e conjugais, os afazeres domésticos, a discriminação e a forte religiosidade que as acompanha por toda a vida, seus anseios e sonhos em busca do tão desejado corpo feminino.
FESTA DO DOCUMENTÁRIO BOMBADEIRA
25 de junho, segunda-feira, às 19h
Local: Teatro Rival – Rua Álvaro Alvim 33, Cinelândia
Com exibição do filme, com o DJ Cleo edistribuição de preservativos Hora H